Editorial 5 Junho 2026

Democracia e Universidade

«A universidade é o último nível formativo em que o estudante se pode converter, com plena consciência, em cidadão; é o lugar de debate onde, por definição, o espírito crítico tem de florescer: um lugar de confronto, não uma ilha onde o aluno desembarca para sair com um diploma», lê-se em Democracia e Universidade, conferência que José Saramago pronunciou em 2005 na Universidade Complutense de Madrid, agora editada pela U.Porto Press, editora da Universidade do Porto.  Ao texto do escritor foram acrescentados um prefácio do reitor da Universidade do Porto, António de Sousa Pereira, e a introdução de Pilar del Río, presidenta da FJS, que publicamos neste mês na revista na secção Saramaguiana.

É a primeira vez que esta intervenção de José Saramago, anteriormente editada em Espanha e no Brasil, é publicada em Portugal. Visitar as suas palavras agora, passados mais de 20 anos, leva-nos a pensar sobre os desafios que o mundo atual, em constante mudança (nem sempre para melhor), apresenta. Desafios que a universidade enfrenta num momento em que a produção de conhecimento se vê transformada com o advento da inteligência artificial; desafio que as democracias enfrentam com a ascensão da discriminatória e xenófoba extrema-direita em praticamente todo o mundo.

Qual o papel da educação, em especial do ensino superior, nos dias que correm? De que forma podemos nós, cidadãos, defender-nos dos regimes autoritários? As palavras do autor de Ensaio sobre a Cegueira, ditas há mais de duas décadas, apontam caminhos importantes para pensarmos sobre estas questões fundamentais.