Estante Andreia Brites 1 Julho 2026

Tita
Hyewon Yum
Fábula 
Tradução de Susana Cardoso Ferreira

Tita, que encontramos no título do álbum, não é o nome da menina que aparece na capa. Logo ali, ainda antes de abrirmos o livro, acedemos ao desenho a grafite, sem cor, e ao rosa da tipografia do título, da mancha que a menina tem na testa, da trela que leva pela mão e, num tom mais desmaiado, das árvores e das nuvens que completam a ilustração. 
Logo na capa, a autora cria o equívoco que será central na vida e na auto-estima da narradora. Tita é o nome que deram à mancha na sua testa e que a menina sente que a esvazia. Por ser única, chama a atenção dos outros. Os seus comportamentos podem ser distintos mas todos revelam esta presença que a incomoda. À medida que vai apresentando Tita ao leitor, a menina discorre sobre a sua vida com a mancha e questiona-se sobre a sua identidade. A ilustração, que mantém sempre o diálogo entre o rosa da Tita e cinza do grafite, replica o destaque da mancha em fotografias da protagonista que destacam a sua presença desde sempre. A certa altura, a menina vai para a escola a ali faz uma grande amizade com uma colega. As afinidades entre ambas são muitas, e este pormenor não é menor na circunstância de vida de alguém que se sente diferente. Tudo corre bem mas a amiga desconhece a existência da mancha, escondida sob uma franja cortada para o efeito. Numa brincadeira, o segredo é revelado e é através do olhar da amiga que a menina aprende a valorizar uma característica que sempre tinha sentido como algo que a diminuía. 
A mensagem que o álbum passa é muito clara: não se trata de aceitação ou de discriminação, trata-se de auto-imagem, de auto-estima, de auto-conceito. A Tita, que parecia invadir tudo, transforma-se numa marca de orgulhosa identidade e individualidade.

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