
Bananas Bananas
Rémi Courgeon
Orfeu Negro
Tradução de Joana Cabral
Depois de Endireita-te e Piolha, dois álbuns ilustrados que afirmam a força feminina com mensagens políticas e identitárias, Bananas Bananas é uma surpresa. Em comum com os outros álbuns, este tem uma protagonista feminina determinada. Porém, ao contrário do que acontece nas outras narrativas, Any não encontra obstáculos no seu círculo próximo. Ao contrário, o narrador é seu amigo, admirador e protetor. A menina, desde muito cedo que, inspirada pela obsessão do avô pela pintura do mar, desenha compulsivamente, num ato de felicidade e liberdade. O álbum é sobre essa dimensão poética que se alimenta da observação do risível e da sua transformação pela arte. Any desenha cascas de banana, como o avô desenha o mar. Max, o companheiro de aventuras, descreve com humor as ações, comportamentos e personalidade da amiga, retirando à criação uma carga formal ou excessivamente séria.
A narrativa relaciona os afetos com a expressão artística, imbrica-os na passagem do tempo e valoriza-os nos gestos que perduram. A arte também é diálogo, manifestação de amor, alegria. Embora o álbum seja mais leve do que os anteriores, o que se verifica quer no estilo do texto quer nos detalhes da ilustração, com elementos mais pequenos e uma paleta de cor bastante ampla, Rémi Courgeon não perde o foco e continua a deter-se sobre o poder do amor e a autodeterminação.