Estante Sara Figueiredo Costa 2 Novembro 2026

Cantos de Tristeza
Ovídio
Tradução, introdução e notas de Carlos Ascenso André
Quetzal

Decorria o último século antes da era que começou a contar-se com o nascimento de Cristo quando Públio Ovídio Nasão foi enviado para o exílio pelo imperador romano Augusto, condenado a viver longe da sua terra, da família e dos amigos. Estes Cantos de Tristeza, que Carlos Ascenso André traduz com rigor, trazendo-os para o século XXI em todo o seu esplendor, resultam desse exílio forçado e compõem um dos grandes monumentos da literatura latina, um lamento carregado de melancolia e de significações várias – a distância, as saudades, mas também o envelhecimento e a noção de que o tempo passa sem contemplações – que se conta entre as obras fundamentais do período clássico.

Tristia, no original, compõe-se de um conjunto de poemas que cruza aquilo a que hoje podemos chamar literatura de exílio com o registo epistolar, tendo como destinatários a mulher, alguns amigos e o próprio imperador. São poemas onde domina a tristeza, naturalmente, mas também uma certa ideia de justiça que talvez o tempo traga, uma confiança absoluta na linguagem, na literatura e na poesia para transcenderem o castigo imperial e resgatarem Ovídio para a imortalidade e para a memória de Roma.

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