Estante Sara Figueiredo Costa 28 Outubro 2026

Marcas de Batom – Uma História Secreta do Século XX
Greil Marcus
Antígona
Tradução de Helder Moura Pereira

Publicou-se originalmente em 1989 e teve edição portuguesa pela Frenesi, já lá vão muitos anos, mas em boa hora a Antígona resgatou este imenso mapa para navegar no universo punk, na contracultura dos anos 70 e 80 do século passado e nas várias recusas, intransigências, refracções e desafios múltiplos à autoridade que lhe deram origem, que a sustentaram e que continuam a ecoar ainda hoje.

A escrita terá começado quando Greil Marcus ouviu pela primeira vez «Anarchy in the UK», dos Sex Pistols, e ainda que esse momento possa ter sido, entretanto, mitificado, a verdade é que Marcas de Batom se funda nesse grito anti-autoritário, nessa fúria que apontava ao neo-liberalismo da senhora Tatcher, mas também aos bons costumes, às regras sociais que era preciso cumprir para não parecer mal, ao consumismo desenfreado que se vendia como objectivo último da existência humana: «Quando ouvi “Anarchy in the UK” há alguns anos, a única coisa que queria saber era porque emanava tanta energia do disco. Agora posso dizer que tenho finalmente uma ideia.» (pg.430) Percorrendo estas páginas agora, percebe-se que tudo, aqui, permanece demasiado (e talvez assustadoramente) actual, ainda que os protagonistas de certos momentos mais icónicos tenham mudado e ainda que tenham passado mais de três décadas sobre a escrita deste livro. Greil Marcus precisou de quase meio milhar de páginas escritas para ficar com uma ideia sobre aquela energia, a produzida por uma só canção e a que a rodeava em múltiplas camadas, cruzando espaço, raiva e tempo e enviando os seus impactos para o futuro. Resta-nos lê-las, a ver se não perdemos o fio à meada.

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