Estante Andreia Brites 24 Agosto 2026

As mãos das mães 
António Mota
Beatriz Francisco
Asa

Não é um conto tradicional, uma fábula, uma narrativa curta. António Mota presta uma homenagem às mães a partir do poder das suas mãos. O texto é poético, assente em afirmações que enumeram ações e características das mãos. Estas, efetivamente, refletem as ações e as características das mães, recorrendo a uma lógica metonímica, em que uma parte representa o todo. Destaca-se o ato de cuidar, o sentido do tato como símbolo de proximidade, afeto e proteção. 

As descrições não surpreendem, não acrescentam nenhuma função ou condição inusitada. Reforçam, isso sim, os laços que se espera que os leitores reconheçam: a proteção, a atenção, a dedicação, a paciência, a disponibilidade, a segurança, o carinho. Espera-se identificação e reconhecimento, recordações.

No entanto, há uma subtileza nesta sucessão enumerativa: a passagem do tempo. Este é o principal aspecto distintivo do texto, porque não é central mas coexiste com uma espécie de atemporalidade na relação entre as mães e os filhos. As ilustrações também respeitam esta relação, retratando uma mãe mais idosa que se prepara para ser avó ou uma mãe com a filha em fases diferentes do seu crescimento.

O final é paradigmático: “Perdemos coisas, esquecemos tudo. Mas somos incapazes de esquecer o calor das mãos daquela a quem chamamos mãe “ Este livro é uma homenagem ao amor das mães e uma afirmação da memória desse amor. 

→ almedina.net