Estante Andreia Brites 22 Janeiro 2026

À noite, na floresta
Sarah Cheveau
Orfeu Negro
Tradução de Joana Cabral

Este é um álbum contemplativo que sugere um ritmo lento. Não que o leitor encontre muitos elementos nas páginas sem texto, que são a maioria.
A proposta é a de que acompanhemos o narrador num passeio, ao cair da noite, pela floresta. O que vemos são formas, mais ou menos difusas, que constituem, quase todas, uma parte de algo maior. Serão árvores, arbustos, plantas, troncos, folhas. Também são animais, mas esses, por razões que só descortinamos mais à frente, são anunciados no texto e destacados na ilustração. Os tons remetem para a terra, entre castanhos e cinzas. Os olhos do leitor terão de se adaptar a quadros em que traços e manchas se contaminam, num eventual zoom ou numa distorção provocada pela escuridão que se vai instalando. A certa altura, a ação acontece. Mas numa dimensão própria. O álbum coloca em diálogo o telúrico e o onírico, de forma muito direta, quase sem mediação da comunicação escrita, do texto. É uma experiência de leitura menos comum, em que cada leitor encontrará o seu ritmo, as suas questões, o seu modo de contemplar. No final, a autora deixa o registo do seu trabalho de pesquisa, indicando um conjunto de plantas que usou para a criação do livro. Acrescentou ainda os materiais vegetais que usou para a ilustração, evidenciando as suas cores. Depois da contemplação da obra, o leitor poderá ir para o campo em busca das folhas ou dos troncos que se transformaram em carvão. A união entre o telúrico e o onírico completam-se na relação que o próprio livro estabelece com o mundo.

→ orfeunegro.org