
A violência como modo de comunicação
Uma série jornalística em áudio que nos leva aos bairros e às comunidades onde a presença do Estado se resume ao policiamento e onde o policiamento é tantas vezes violência, discriminação e impunidade.
Em 2018, uma equipa de jornalistas do Fumaça e da Divergente iniciou uma investigação sobre o policiamento dos bairros urbanos e suburbanos onde vivem milhares de pessoas com baixos ou baixíssimos rendimentos, muitas vezes racializadas e cuja principal forma comunitária de relação com o Estado – quase sempre, a única – é através da polícia e da sua actuação no espaço onde vivem. O resultado desse longo trabalho pode agora escutar-se on-line, num computador ou em qualquer dispositivo ligado à internet. São 14 episódios para ouvir com toda a atenção.
O primeiro episódio foca-se em Chelas, na Zona J, e a partir daí a série prossegue em múltiplas direcções, não só geográficas, percorrendo bairros e comunidades sempre apontadas como periféricas ou problemáticas, mas também temáticas, analisando as muitas questões sociais, políticas, económicas e culturais que se cruzam neste cenário. E reportando vários casos de violência policial e a impunidade que os acompanha.
Uma das linhas de reflexão desta nova série jornalística é precisamente a que nos permite discutir se chamar bairros problemáticos ou zonas problemáticas aos lugares onde vivem pessoas é uma forma justa, produtiva e aceitável de separar estas zonas de todas as outras. Não será esta uma forma de criar lugares de excepção, onde a lei não se aplica da mesma forma, onde a actuação policial não se rege pelos princípios constitucionais e legais e onde tudo é permitido? Por outro lado, não será esta designação, para além de estigmatizante, um modo de fazer proliferar uma ideia de insegurança que não se coaduna com os números da estatística criminal?
Estas e outras questões atravessam A Fronteira do Medo e vão sendo discutidas ao longo dos episódios. A escuta é gratuita, mas o Fumaça e a Divergente vivem das contribuições de quem os lê e ouve e de outros apoios não empresariais, porque o jornalismo não se faz sem custos e quem o faz tem de ser justamente remunerado. Para contribuir para qualquer um dos projectos, é seguir os links nas páginas respectivas.