
À Flor da Língua
Gregorio Duvivier
Tinta da China
A partir do espectáculo O Céu da Língua, que já teve mais de 200 mil espectadores em Portugal e no Brasil, Gregorio Duvivier criou este exercício em torno do idioma que nos une e que também nos coloca alguns desentendimentos, coisa que o autor celebra com humor. Um excerto:
«Rosa
“O que há num nome?”, pergunta Julieta a Romeu. “Uma rosa com outro nome seria menos perfumosa?” Desculpa, Romeu, mas se a rosa se chamasse regina, seria perfumosa de outro jeito: teria cheiro de tia perfumada mas fumante, cheiro de elevador em Copacabana. Se a rosa se chamasse valentina, teria cheiro de body splash de baunilha. Se a rosa se chamasse alzira, teria cheiro de bolo de fubá saindo do forno. Se a rosa se chamasse heitor, teria cheiro de loção pós-barba, que é o cheiro do pai dos outros. Uma letra já mudaria tudo: se a rosa se chamasse Rose, teria cheiro de professora, cheiro de pré-primário. Então você me pergunta: o que há num nome, Romeu? Tudo.»