
Olhos abertos, olhos fechados
Isabel Minhós Martins
Yara Kono
Planeta Tangerina
Novo livro da coleção cantos redondos, desta feita dedicado à arte de observar. À imagem dos anteriores, é um livro “em papel interativo e digital” em que se mantém a lógica interpelativa e o convite à ação. Colocam-se questões sobre os elementos visuais presentes em cada página, propõem-se exercícios de memória, convocam-se outros leitores, sugerem-se mudanças de perspetiva. O objetivo é sempre o mesmo: que cada um reflita sobre o ato de ver e que o faça com outro nível de consciência. Isso implica intencionalidade, implica ritmos distintos, implica pensar sobre o que se vê, o que não se vê e como é possível ver.
A ilustração, recorrendo à técnica da colagem e composta por elementos geométricos, não é óbvia. A representação de objetos, árvores, pessoas ou animais recorre a um conjunto limitado de formas e cores que se relacionam, levando o leitor a uma observação mais demorada e atenta.
Mas porquê este desafio?
A mensagem não é lúdica, não se esgota num conjunto de propostas para desafiar e provocar divertimento no leitor. O texto propõe que se pense e oferece, na observação das páginas, um caminho para lá chegar: “E quando estamos todos a olhar para-o mesmo sítio? //O que será que fica por ver nos outros lugares?//Enquanto não vires o que há para ser visto, não tires os olhos destas páginas.”
No final, há uma proposta de missão para os nossos olhos, que é uma missão social, uma missão de responsabilidade e de esperança.