
Versos quase matemáticos,uns menos e outros mais
João Pedro Mésseder
Ricardo Abreu
Caminho
O título não engana. João Pedro Mésseder explora números e operações numéricas em poemas que os relacionam com um imaginário infantil. O lúdico e um certo tipo de humor perpassam pelos textos, recuperando a tipologia da lengalenga ou intercalando contagens com acontecimentos. Um dos poemas cuja referência é mais óbvia adapta Tranglomango, respeitando a contagem decrescente e a lógica do acidente que vai afastando, um a um, os elementos do grupo.
Também há espaço para fantasmas, bicicletas, baús, brinquedos, estações do ano, jogos de futebol, um corte de cabelo, andorinhas, bailes, família… Há poemas que rimam e outros não, mas todos se alimentam do ritmo corrido do que se enumera. Apesar disso, não são poemas do presente ansioso e acelerado que vivemos e sim de um outro tempo. As referências e a estrutura levam o leitor adulto para um lugar bucólico e até, eventualmente, nostálgico, pela leveza, simplicidade e alegria.
As ilustrações, só com cores primárias, representam crianças, espaços e ações, em geometrias sem contornos delineados.
Que imaginário vivenciará o leitor infantil ao ler estes poemas, não sabemos. Porém, tudo o que ali encontra lhe é familiar ou reconhecível, faz parte de um património coletivo.