Estante Andreia Brites 16 Fevereiro 2026

Mallko e o papá 
Gusti
Orfeu Negro
Tradução de Guilherme Pires

Neste livro, Gusti apresenta ao mundo a vida com o filho Mallko. Desde o momento do nascimento até ao presente, sucedem-se capítulos que vão do parto à escola, do pequeno-almoço à hora do banho, de uma noite na cama dos pais aos passeios no parque. 
Para além da identidade de Mallko, dos seus gestos, atitudes, interações, brincadeiras e objetos preferidos, o livro debruça-se sobre a relação entre Gusti, pai e narrador, e a criança.
Combinando o discurso visual e o textual, com forte presença da colagem, do desenho e da tipografia, o ilustrador compõe um diário gráfico catártico em que revela, passo a passo, o seu processo de aceitação de um filho com síndrome de down. O livro começa, justamente, com o conflito que sente: o seu filho não é como tinha imaginado e tem dificuldade em aceitá-lo. Os dois capítulos seguintes são dedicados à mãe e ao irmão mais velho de Mallko, cuja imediata aceitação, sem quaisquer dúvidas ou recriminações, terá sido decisiva para o processo de Gusti.
Os diversos momentos deste diário não distinguem Mallko de tantas outras crianças, com os seus gestos e ações cómicas e surpreendentes, com as brincadeiras que fazem com os adultos, com as birras e as teimosias. O autor prova, através da narrativa, que não há grande diferença na relação, porque esta é construída a partir de duas pessoas que são sempre únicas; então, os sentimentos desenvolvem-se a partir desta unicidade. Gusti regressa ao síndrome de down ao longo das suas reflexões e constatações. Não passa da não aceitação para a negação. Defende e demonstra, desde o início, que a superação das dificuldades acontece com o amor, o amor incondicional.

→ orfeunegro.org