
O puzzle de Bernardo Soares
Um site para conhecer a fundo o Livro do Desassossego e navegar pelos seus fragmentos de forma ordenada ou em modo de deambulação.
Num dos fragmentos que compõem essa espécie de enciclopédia desordenada da alma humana que é o Livro do Desassossego, escreve Bernardo Soares: «E eu chego a ter não sei que misterioso modo de visionar esses absurdos – não sei explicar, mas eu vejo essas cousas inconcebíveis à visibilidade.» Tudo o que Fernando Pessoa registou num dos livros fundamentais da literatura portuguesa está disponível para os leitores a partir do écrã do computador, num site que oferece diferentes edições da obra, explicando as muitas hipóteses de arrumação dos seus fragmentos e fornecendo outras informações relevantes para a leitura. O site chama-se Arquivo LdoD, abreviatura para Arquivo Digital Colaborativo do Livro do Desassossego, uma ferramenta criada pelo Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra, com a organização de Manuel Portela e António Rito Silva.
Eis a apresentação que pode ler-se na abertura do site: «O Arquivo LdoD é um arquivo digital colaborativo do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa. Contém imagens dos documentos autógrafos, novas transcrições desses documentos e ainda transcrições de quatro edições da obra. Além da leitura e comparação das transcrições, o Arquivo LdoD permite que os utilizadores colaborem na criação de edições virtuais do Livro do Desassossego. Inclui ainda um módulo de escrita que, futuramente, permitirá aos utilizadores escreverem variações a partir dos fragmentos do Livro. Deste modo, o Arquivo LdoD combina um princípio representacional com um princípio simulatório: o primeiro consiste na representação da história e dos processos de escrita e de edição do Livro; o segundo consiste na possibilidade de os utilizadores assumirem diferentes papéis no processo literário (ler, editar, escrever), usando a flexibilidade do meio digital para experimentarem o Livro do Desassossego como máquina literária.» Navegando entre as edições de Jacinto do Prado Coelho, Teresa Sobral Cunha, Richard Zénith ou Jerónimo Pizarro, os leitores podem aceder a todo o conteúdo do livro, percebendo-lhe a genealogia e as derivações, e podem até fugir destas edições, escolhendo uma nova ordem para aceder aos fragmentos de Bernardo Soares.