
Junto à Grand Central Station Sentei-Me e Chorei
Elizabeth Smart
Dom Quixote
Tradução de Helena Barbas
Originalmente publicada em 1945, esta é uma história de amor atravessada por livros, escritores e uma certa dose de inverosimilhança a confirmar que as boas histórias reais fazem os leitores duvidar da ficção. Numa livraria londrina, Elizabeth Smart apaixona-se pelo poeta George Barker através dos poemas que lê num livro. Depois de três anos tentando encontrar-se de corpo presente com o seu apaixonado, é um outro escritor, Lawrence Durrell, quem lhe fornece o endereço de Barker, permitindo o encontro que há-de transformar-se em romance, também no sentido romanesco, mas sobretudo no sentido primeiro de uma relação amorosa intensa e marcada por uma certa clandestinidade (Barker nunca se separou oficialmente da sua mulher):
«Não é possível que ele não regresse. Estou aqui deitada sobre um ombro a quinhentas milhas de distância, esperando, hora após hora, o seu ligeiro e perentório bater na porta. Salto de cada vez que o chocalhar ineficiente do elevador começa a funcionar. Irá, oh, irá este monstro vomitar o meu milagre? um telegrama? um telefonema?» (pg.94)