(Continuar a) Ler Saramago
Contava José Saramago que no início dos anos 1980, após a publicação de «Levantado do Chão», era frequente pessoas virem ter com ele para dizer que não tinham percebido nada do livro. «A minha única resposta, nessa altura, foi: leiam uma página ou duas em voz alta.» A dificuldade que alguns leitores e leitoras encontravam era, sobretudo, com o chamado «estilo Saramago», a forma não convencional de o escritor formular os diálogos usando apenas vírgulas e pontos. Muitas décadas passaram desde então, mas ainda hoje há quem justifique que não abre um livro de José Saramago (ou de qualquer outro/a autor/a) pela suposta dificuldade envolvida no processo.
São muitos os argumentos para estimular alguém a ler o autor de «Memorial do Convento», o primeiro deles é que José Saramago tem livros muito diferentes quando pensamos na classificação por género literário (romances, contos, poesia, literatura de viagem, crónicas, obras de teatro, diários etc), na temática e na extensão. Numa obra tão rica e diversa, é difícil crer que não haverá pelo menos um livro que não sirva a alguém que esteja em busca de uma leitura.
No intuito de estimular as pessoas a lerem, em voz alta, e partilharem as suas leituras, a Fundação José Saramago lançou no mês passado a campanha «Eu leio Saramago», com a publicação nas redes sociais da FJS (@fjsaramago) de vídeos de amigos/as a lerem excertos de livros do Prémio Nobel português. Ao mesmo tempo, leitores/as são convidados a gravarem os seus vídeos com as suas leituras, publicando-os nas redes sociais e identificando a FJS.
«O leitor transforma-se, no próprio acto da sua leitura, em mais um elemento dessa ficção. Ler é participar», disse certa vez José Saramago. Participemos!