
Cartas a um monstro
Patricia Forde
Sarah Warburton
Jacarandá
Tradução de Carla Maia de Almeida
O tema dos monstros é recorrente na literatura, com especial enfoque para o universo infantil. Uma das referências mais icónicas é justamente o álbum de Maurice Sendak, Onde vivem os monstros, considerado por muitos o primeiro picture book a configurar o género. O imaginário dos monstros está intimamente ligado ao medo, com a noite, o sono e o sonho a alimentarem muitas narrativas.
Partindo deste contexto, o presente livro explora uma relação epistolar entre Sofia e o monstro que a menina acredita viver debaixo da sua cama. Toma a iniciativa de lhe escrever uma carta, intimando-o a partir e o monstro surpreende-a, respondendo que já não vive ali, por conta de um gorila que se apropriou do espaço. Entre cartas com perguntas e respostas, o monstro vai contando a sua história e alimentando a curiosidade da rapariga. Assim, o que começou como uma reação corajosa ao medo, vai-se transformando em curiosidade e cumplicidade até à decisão final.
O álbum não pretende ser didático, o estilo é conciso e leve. As ilustrações representam, em alternância, o contexto de Sofia e o do monstro, evidenciando a dinâmica do diálogo. A expressividade das personagens, os pormenores dos espaços e a distribuição dos elementos nas páginas são decisivos para o humor da narrativa. Não há um laivo de pretensiosismo, nem relativamente à abordagem do tema, nem à composição, o que resulta num livro equilibrado, subtil e divertido.